Thursday, March 22, 2007

A VELHA GUARDA E O CARNAVAL CONTEMPORÂNEO: O QUE MUDOU?

Todos os anos, durante quatro dias consecutivos, quase a totalidade dos brasileiros incorporam um espírito de folia e se entregam de corpo e alma à festa que encanta todas as idades, desde as mais novas gerações até os integrantes da famosa velha guarda. É chegado o carnaval.

Fora de época ou não, toda esta festa mexe com a cabeça das pessoas de uma forma eletrizante, fazendo com que todos esqueçam de vez a rotina e caiam na folia. Uma tradição que já domina todas as diversas classes sociais há vários anos, desde os tempos do carnaval de salão com suas famosas marchinhas. Uma festa de fantasias e brincadeiras, onde se pode desfrutar do privilégio de ser aquilo que desejar, este é o momento!

Porém, nota-se que assim como os costumes da geração contemporânea estão sofrendo gradativas mudanças, assim como o mundo globalizado nos obriga a estar a par das inovações tecnológicas, o carnaval também está mudado. Já não se encontra mais as tradicionais matinês, realizadas em clubes, muito menos os bailes que um dia existiram. O carnaval de rua também já não é mais o mesmo. Para participar da festa, é preciso estar sempre na defensiva, pois num piscar de olhos somos vítimas da brutal violência que está dominando os quatro cantos do mundo.

É assustador observar que até mesmo as mais antigas escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo já não fazem do carnaval o mesmo espetáculo que antes. Lógico, a beleza ainda existe. Não é muito difícil se emocionar com a história em que se passam os enredos, com o som das baterias e com a tecnologia somada às alegorias multicoloridas, que enaltecem os desfiles a cada ano.

Porém, existe um outro lado da moeda que passa despercebido pelo público. O carnaval das grandes escolas de samba está muito apelativo ultimamente, no que se refere às fantasias, ou melhor, na falta delas. O que se pôde notar neste ano foi um índice gigantesco da nudez feminina, que, de certa forma, acaba vulgarizando a imagem da mulher. E não adianta tentar defender este fato com o famoso ditado “o que é bonito é para se mostrar”. Factualmente, o excesso de nudez no carnaval 2007 foi de caráter apelativo, para chamar atenção do público (parabéns aos carnavalescos... conseguiram!). Mas certamente, não foi bem aceito por aqueles que já apreciaram um outro tipo de carnaval.

A única esperança é que, mesmo com as novas tecnologias e com a necessidade de se apresentar o carnaval através do apelativo, não deixemos cair no esquecimento todas as lembranças que se pode ter do antigo carnaval, símbolo de alegria, emoção e fantasia.

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