ESTUDANTES E TRANSPORTE COLETIVO: UMA RELAÇÃO QUE CUSTA DINHEIRO
Onze e meia da manhã... Nas escolas, tocam-se os sinais. Hora de ir para casa! As ruas da cidade são tomadas por crianças, adolescentes e universitários, encerrando mais um dia letivo. A única coisa que se passa na cabeça desses estudantes, neste momento, é poder chegar em suas residências, trocar os uniformes e desfrutar de uma bela refeição, para prosseguirem com suas rotinas.
E no percurso entre a sala de aula e a mesa da cozinha, se deparam com uma situação merecedora de uma reflexão por parte dos que ditam e regem as leis dentro da cidade: a tarifa de ônibus. Estamos falando do papel dos vereadores, eleitos por cidadãos do próprio município, que deve ser cumprido visando o bem-estar de todos e sendo respeitado o direito de ir e vir, contido na Constituição Brasileira. Eis que defende a igualdade entre os homens.
No dia 1º de fevereiro, Juiz de Fora foi surpreendida por um misterioso e polêmico reajuste das passagens de ônibus, aumentando R$0,20. Misterioso, porque até hoje se questiona os motivos que justificam o reajuste. Polêmico, porque é um serviço “público”, do qual grande parte da população necessita, principalmente trabalhadores e estudantes. O que fazer? Abaixar a cabeça e simplesmente aceitar o aumento? Comodismo demais.
Unidos, os estudantes da cidade se organizaram para protestar frente à câmara dos vereadores, em busca de uma solução para o tão discutido problema. A Astransp, empresa responsável pelo transporte coletivo, alegou que o aumento de 13% foi necessário, para cobrir os custos da empresa. Já a população não consegue enxergar a situação com os mesmos olhos, uma vez que não é observada qualquer forma de melhoria no serviço. O impasse foi causador de repetidos protestos dos estudantes, que organizaram passeatas e até interroperam parte do trânsito na via principal da cidade. Quem está certo? Quem está errado?
Um dia após o susto, um alívio. A justiça prorrogou o reajuste pelo prazo mínimo de 10 dias, até que especialistas da Procuradoria Geral chegassem a um acordo quanto à planilha que justifica o aumento. Não se falava em outra coisa na cidade. Diversas especulações quanto ao preço da tarifa surgiram, idealizando-se o sonho de não ter o orçamento do mês mais pesado. Mera ilusão! Decorrido o prazo estipulado pela justiça, os juizforanos voltaram a desembolsar vinte centavos a mais, no trajeto até a escola ou até o trabalho.
A conclusão que se pode chegar mediante a toda essa história é de que estamos sobrevivendo numa realidade paradoxal. Somos freqüentemente obrigados a protestar contra os poderes que nos governa, em favor de nossos direitos, ainda que sejamos nós os seletores deste corpo de governantes. E que as próximas gerações sejam ainda mais resistentes a este tipo de pressão, pois estes míseros vinte centavos enriquecem ainda mais os poderosos, da mesma forma que faz muita diferença para quem mais necessita.

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