PONTOS DE AUDIÊNCIA, A VERDADEIRA GUERRA DAS EMISSORAS
Todas as etapas da produção dos dados de audiência passam por um rigoroso controle de qualidade. Desde a manutenção e auditoria dos aparelhos de medição automáticos, até o estabelecimento de uma central de dúvidas para os domicílios respondentes.
Cada etapa do processo de produção do dado final passa por uma análise de consistência e por um comparativo histórico.
Cada etapa do processo de produção do dado final passa por uma análise de consistência e por um comparativo histórico.
Os domicílios respondentes ficam no máximo por quatro anos na amostra, para garantir a rotatividade que esse tipo de pesquisa necessita. Essa renovação é contínua e todo ano uma parte da amostra é trocada. Os endereços dos domicílios respondentes são mantidos sob sigilo, para evitar qualquer espécie de interferência na medição de audiência.
O cuidado com o domicílio respondente gerou, inclusive, a criação de um setor especializado para esclarecer as dúvidas em relação ao funcionamento do aparelho ou do preenchimento do caderno nas casas onde ainda não há medidores automáticos.
Desde que a audiência da televisão começou a ser medida no Brasil, em 1954, a emissoras entraram numa acirrada disputa pelos pontos de audiência no Ibope. Com o monopólio desde o início dessa medição, a empresa ganhou, no início de 2004, um concorrente oficial, chamado Datanexus, financiado pelo SBT.
É óbvio que, para o Ibope, os dados do instituto concorrente são desconfiáveis e para o Datanexus, a mesma concepção é adotada quanto ao Ibope. Essa desconfiança surgiu pelo fato de o Datanexus ser uma idéia do empresário Sílvio Santos e o Ibope funcionar como uma espécie de braço da Rede Globo.
Os dados levantados pelo novo instituto são considerados inesperados. De acordo com a publicação da Folha de São Paulo, de 08 de fevereiro de 2004, o número de domicílios com televisores ligados na Grande São Paulo diminui entre 8 e 10 pontos percentuais na pesquisa Datanexus quando comparada com o levantamento do Ibope; A audiência da Globo encolhe na mesma proporção (de 8 a 10 pontos percentuais) na medição do Datanexus. Ou seja, o público da emissora no Ibope estaria inflado entre 408 mil e 510 mil casas, já que cada ponto percentual equivale a 51 mil domicílios.
Outro grande confronto pela audiência, ocorre no final da tarde e início da noite, com os programas policiais, que tratam exclusivamente de violência, sangue e os casos mais polêmicos do país. A Rede Record e a Bandeirantes (Band) usam de todos os recursos para se manterem com os pontos de audiência elevados. São válidos até mesmo os casos de suicídio e também as reportagens já transmitidas pelo concorrente. O dinamismo é essencial nesse tipo de disputa e as emissoras devem contar com a agilidade de sua equipe de produção.
Os reality-shows também são alvos de audiência. Já com cinco edições, o Big Brother Brasil, da Rede Globo, varia entre 55 e 60 pontos percentuais no Ibope. O SBT tentou comprar os direitos da Globo, mas não conseguiu. A solução encontrada foi lançar um reality-show, porém, com pessoas famosas, em vez de anônimos. Foi o caso da Casa dos Artistas, que só obteve sucesso absoluto em sua primeira edição, em 2001. A ponto de desbancar a audiência do Fantástico nas edições de domingo, quando então alguém seria eliminado. Era a primeira vez que o Fantástico não liderava a audiência.
O que se pode concluir é que esta disputa pelos pontos de audiência sempre existirá e as emissoras estarão cada vez mais alienadas, com o propósito de passar a frente do canal concorrente. Assim sendo, a “guerra da audiência” continua.

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